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Não é só múmias, faraós e pirâmides

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Uma das primeiras medidas das autoridades egípcias foi cortar o acesso a redes sociais, como o Twitter e o Facebook. Foi logo na terça-feira durante o primeiro dia de protestos que o Twitter foi bloqueado. Seguiram-se o Google e o Youtube. A última decisão do governo foi a de desligar a Internet, uma ordem do Presidente Hosni Mubarak, no governo há 30 anos.

«Alguns utilizadores, porém, conseguiam aceder à Internet através de ligações de linha telefónica fornecidas pelo único operador de Internet que continuou a funcionar. Pelas redes sociais circulavam apelos a que as pessoas com estas ligações as partilhassem, através de routers capazes de disponibilizar acesso sem fios à Internet»

Desde terça-feira que se têm testemunhado protestos contra a pobreza e corrupção. São exigidas reformas no sentido de democratizar-se o poder político. Os protestos são ilegais para o regime liderado por Mubarak, de 82 anos e a governar desde 1981. A cobertura jornalística da revolta que já vai no seu quinto dia está a ser amplamente dificultada pelas autoridades egípcias.

Ahmad Mansour, um jornalista veterano da Al-Jazeera foi detido por mais de uma hora no Cairo. A estação televisiva assegura também que vários jornalistas foram impedidos de entrar no Egipto através do Aeroporto Internacional do Cairo, incluindo um dos seus repórteres, Yasser Abu Hilala.

Jornalistas da CNN foram ameaçados e o material de trabalho confiscado, enquanto cobriam os protestos, garante a estação norte-americana. Ben Wedeman, correspondente da CNN e Mary Rogers, uma foto-jornalista, foram cercados e atacados por polícias à paisana que lhes levaram a câmara. No programa American Morning da CNN Wedeman contou ter tentado convencer os agentes a devolver a câmara, apelando que o Egipto acredita na liberdade de imprensa, mas “as forças de segurança negaram-se a fazê-lo”.

No mesmo programa soube-se doutro incidente. Quatro jornalistas franceses, do Le Figaro, do Le Journal du Dimanche, da Sipa e do Paris Match foram detidos no Cairo enquanto acompanhavam as manifestações.

Até agora, a mais consistente cobertura televisiva dos protestos parece ser a da Al-Jazeera inglesa. Eu próprio, em 3 dias, confesso que já vi mais a Al-Jazeera do que nos últimos 3 anos. O Egipto pode estar sem Internet, serviço de mensagens escritas e ligações via telemóvel, mas ainda não cortou – nem pode! – com as emissões em directo da emissora que tem sede no Qatar; nem com a revolta dos egípcios, dispostos a pôr um fim ao regime instituído.

A censura e a pressão exercidas sobre a classe jornalística, meios de comunicação, blogues e redes sociais são uma constante, é certo! Esse controlo de conteúdos estende-se às telecomunicações, mas com o devido cuidado, com vista a não sair anacronicamente prejudicado o desenvolvimento do país e a evitar-se a quebra no seu mercado turístico.

(…)

[blip.tv http://blip.tv/play/grYNgp_bPgI%5D

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Written by Francisco Manuel Pereira

29/01/2011 at 22:02

Publicado em Egipto, Facebook, Google, Twitter, Youtube